Olá Peregrinito... - de Marcolino Duarte Osório "Peregrino"

 

Olá Peregrinito...

 

Olhei para lá de mim mesmo e dei com o meu Mendigador de Afectos de ar lavado e sorriso aberto de tal forma que até a sua alvura interior se me mostrava naquela sua pureza em toda a sua singeleza com toda a Verdade dos Céus.

 

Perguntei-lhe ao que vinha e sugeriu-me que pelo natal e final de ano desse uma de forte e não ligasse a meia dúzia de pessoas que me haviam obrigado a obrigara-me a seguir certas regras do socialmente correcto em relação as praxes destas duas efemérides inventadas pelos homens que não vindas de um deus dos mansos e de coragem.

 

Mas como assim...? (Perguntei-lhe boquiaberto)

 

Tenta lá fazer o seguinte devaneio intelectual:

 

Se um dia destes por aqui aparecesse um dos muitos deuses que habitam dentro de nós mas apenas um estivesse de acordo contigo em relação a ti mesmo no tocante ao não sofrimento serias capaz de lhe obedecer para deixares de sofrer desligando-te conscientemente destas duas datas que habitam dentro de cada ser humano não por inerência mas por velhos e anquilosados hábitos impostos e mais do que arreigados não recebendo nem enviando as saudações a que te obrigaram habituar e obrigaram-te à reciprocidade durante décadas seguidas para deixares definitivamente de sofrer quando alguém se lembra de não tas enviar só porque quer marcar socialmente uma posição que de outra forma nunca seria capaz porque está também cerceando-se em relação a ti para continuar alimentar este seu insano sofrimento para gáudio da santinha e atrevidota ignorância de um grupinho restrito a quem tem forçosamente (mais por dependência económica do que sentimental) que agradar...?

 

Pensativo fiquei quedo e mudo olhando-o. Não pela sugestão. Mas sim porque neste precioso momento de revelações ancestrais deixei de me ver como acontecia no meu passado melancolicamente sentado a uma qualquer Esquina do Tempo do meu Tempo Passado mas sim à frente de uma Mesa Farta de Amor de Paz Solidariedade e Fraternidade que não nos obriga a nada para além do naturalmente nosso natural e são convívio diário onde as reciprocidades nascem espontâneas sem se olhar ao grau de amizade ou mesmo contrariedades dentro de cada qual para com os que nos rodeiam.

 

Então ... não reages ...? (questionou-me o meu Mendigador de Afectos cada vez mais invisível..)

 

Respondi-me assim:

 

- Reagir seria dar-me a saber que ainda estaria estagnado no Tempo de certo e determinado Tempo do meu Tempo ...!

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2006-12-10