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terça-feira 26 Setembro 2006

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Algumas notas sobre esta doença

Breves apontamentos sobre de como se vive a perder lentamente a acuidade visual

Nasci já com um certo grau de falta de visão num dos olhos o que nunca me impediu de fazer uma vida absolutamente normal visto que era passível de controlo médico através da conveniente correcção com recurso às lentes de fraca graduação para que as imagens fôssem o mais correctas possível. Os anos foram passando sem que ninguém se apercebêsse de que uma subtil degenerescência das células da visão central estava a ter efeito.

Numa visita anual de rotina para controlo das dioptrias das lentes de meus óculos o meu habitual oftalmologista verificou que existia algo de anormal no fundo de meus dois globos oculares e evidou todos os esforços para que fôssem feitos os respectivos exames médicos.

Na posse dos mesmo foi concluído que existiam realmente a tal degenerescência macular interna mas do tipo húmido não circundante da zona macular mas sim localizada no seu centro.

Isto aconteceu em finais de 1991 e até hoje esta maleita tem feito das suas mas não me impedindo, a meu querer, de ter uma vida normal apesar de ir abdicando progressivamente de ver Tv por longos períodos de tempo, ir ao teatro e cinema, conduzir veículos de duas e quatro rodas, fazer fotografia normalmente como sempre o fiz, lêr assiduamente quer jornais quer livros de ficção e romance, científicos de diversos autores.

Deixei de trabalhar por não ver o suficiente pois ao forçar os olhos as dores, por dificuldades naturais de acomodação,  tornaram-se demasiado insistentes  mesmo auxiliado pelas lentes graduadas.

Contudo e porque não gosto de ser um mau exemplo, socialmente falando, também com base noutro exemplo aqui descrito neste site através de num vídeo muito revelador da vontade de se vencer inteligentemente pelo exercício do bom exemplo diário, resolvi meter mãos à obra e fazer deste meu cantinho um local de passeio frugal sem grandes farroncas nem pretensões de ser mais ou menos que os que me servem de exemplo tornando-me num homem simples e despedido de auto-sofrimento o que intelectualmente faz de mim um ser positivamente criativo pela escrita e pelo meu contacto diário a nível humano.

- Se serei feliz assim...?

- Sim, sou-o da cabeça aos pés...!

- Como me governo diariamente...?

- Por exclusões de parte reaprendi a ser autónomo sem desejar ser auto-suficiente...!

- Quem governa minha casa, compras e lides diárias com limpezas e tratamento de minhas roupas incluindo a confecção dos alimentos...?

- Evidentemente que só eu sei tratar de mim como mereço ser tratado...!

- Se convivo assiduamente?

- Sim, cá pelo meu bairro e noutros ambientes com velhos amigos e amigas de infância ou mesmo juventude.

- Se pratico o bem...?

- Começo-o por mim para me sentir de bem comigo mesmo...!

- Se participo em acções de voluntariado?

- Sim!

- Se tenho amigos e amigas cegos que me auxiliam a andar como eles o fazem?

- Sim; por isso me tornei sócio efectivo da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal onde me decidi integrar para conhecer assim invisuais, homens e mulheres, úteis por excelência a sociedade de que fazem parte, trabalhando como vulgares seres normais, que andam sem bengala, por vezes, dado o seu conhecimento da geografia de seus bairros e locais de trabalho. São gente giríssima com um mundo interior invulgar e uma fôrça de viver contagiantes.

- Se passeio e me divirto?

- Sim. Faço-o assiduamente pelo Parque das Nações por ser um sítio belo de se estar e poder passear horas seguidas sem grandes engarrafamentos de pedestres distraídos buscando por ali também uma amenidade social heterogénea. Também estou presente, quando minha disponibilidade o permite a eventos sociais vários convidado por amigos ou mesmo por conhecidos. Além disto tudo ainda tenho tempo para mim, escrevendo e actualizando este cantinho de meus devaneios.

- Se faço desporto?

- Sim ! Diariamente vou à minha natação de manutenção vigiada pelos instrutores de serviço aos nadadores libertos de aulas e seguimento de perto por um professor atento. Faço minha ginástica levezinha de manutenção muscular aprendida nos tempos em que pratiquei natação desportiva e de competição. Sair de bicicleta aqui pelo bairro já se torna perigoso pelo transito em excesso e assim ofertaram-me uns rolos usados para treino de ciclistas meio amadores meio desportistas.

- Se vivo só e por minha conta e risco...?

- Alguma dúvida para quem gosta de ter este estilo de vida em que lhe sabe mutíssimo bem viver só por saber que seus descendentes já estão lançados de forma individual e autónoma na vida?!

- Se serei feliz assim...?

- Repito: - Só assim é que sei viver em paz e harmonia interior comigo mesmo!

 

 

Esta fotos foram retiradas de um site da especialidade a fim de vos dar a conhecer a tipologia desta doença chamada Degenerescência da Mácula.

Clica nestas imagens e verás de como tu podes fazer de ti alguém que sabe ver sem poder ver fisicamente.

 

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Última actualização efectuada a 09/26/06