Nasci já com um certo
grau de falta de visão num dos olhos o que nunca me impediu de fazer uma
vida absolutamente normal visto que era passível de controlo médico
através da conveniente correcção com recurso às lentes de fraca
graduação para que as imagens fôssem o mais correctas possível. Os anos
foram passando sem que ninguém se apercebêsse de que uma subtil
degenerescência das células da visão central estava a ter efeito.
Numa visita anual de
rotina para controlo das dioptrias das lentes de meus óculos o meu
habitual oftalmologista verificou que existia algo de anormal no fundo
de meus dois globos oculares e evidou todos os esforços para que fôssem
feitos os respectivos exames médicos.
Na posse dos mesmo foi
concluído que existiam realmente a tal degenerescência macular interna
mas do tipo húmido não circundante da zona macular mas sim localizada no
seu centro.
Isto aconteceu em finais
de 1991 e até hoje esta maleita tem feito das suas mas não me impedindo,
a meu querer, de ter uma vida normal apesar de ir abdicando
progressivamente de ver Tv por longos períodos de tempo, ir ao teatro e
cinema, conduzir veículos de duas e quatro rodas, fazer fotografia
normalmente como sempre o fiz, lêr assiduamente quer jornais quer livros
de ficção e romance, científicos de diversos autores.
Deixei de trabalhar por
não ver o suficiente pois ao forçar os olhos as dores, por dificuldades
naturais de acomodação, tornaram-se demasiado insistentes mesmo auxiliado pelas
lentes graduadas.
Contudo e porque não
gosto de ser um mau exemplo, socialmente falando, também com base noutro
exemplo aqui descrito neste site através de num vídeo muito revelador da vontade
de se vencer inteligentemente pelo exercício do bom exemplo diário, resolvi meter mãos à
obra e fazer deste meu cantinho um local de passeio frugal sem grandes
farroncas nem pretensões de ser mais ou menos que os que me servem de
exemplo tornando-me num homem simples e despedido de auto-sofrimento o
que intelectualmente faz de mim um ser positivamente criativo pela
escrita e pelo meu contacto diário a nível humano.
- Se serei feliz assim...?
- Sim, sou-o da cabeça aos
pés...!
- Como me governo
diariamente...?
- Por exclusões de parte
reaprendi a ser autónomo sem desejar ser auto-suficiente...!
- Quem governa minha casa,
compras e lides diárias com limpezas e tratamento de minhas roupas
incluindo a confecção dos alimentos...?
- Evidentemente que só eu
sei tratar de mim como mereço ser tratado...!
- Se convivo assiduamente?
- Sim, cá pelo meu bairro
e noutros ambientes com velhos amigos e amigas de infância ou mesmo
juventude.
- Se pratico o bem...?
- Começo-o por mim para
me sentir de bem comigo mesmo...!
- Se participo em acções
de voluntariado?
- Sim!
- Se tenho amigos e amigas
cegos que me auxiliam a andar como eles o fazem?
- Sim; por isso me tornei
sócio efectivo da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal onde me decidi
integrar para conhecer assim invisuais, homens e mulheres, úteis por
excelência a sociedade de que fazem parte, trabalhando como vulgares
seres normais, que andam sem bengala, por vezes, dado o seu conhecimento
da geografia de seus bairros e locais de trabalho. São gente giríssima com um mundo interior invulgar
e uma fôrça de viver contagiantes.
- Se passeio e me divirto?
- Sim. Faço-o assiduamente pelo Parque das Nações por ser um sítio belo
de se estar e poder passear horas seguidas sem grandes engarrafamentos
de pedestres distraídos buscando por ali também uma amenidade social
heterogénea. Também estou presente, quando minha disponibilidade o
permite a eventos sociais vários convidado por amigos ou mesmo por
conhecidos. Além disto tudo ainda tenho tempo para mim, escrevendo e
actualizando este cantinho de meus devaneios.
- Se faço desporto?
- Sim ! Diariamente vou à minha natação de manutenção vigiada pelos
instrutores de serviço aos nadadores libertos de aulas e seguimento de
perto por um professor atento. Faço minha ginástica levezinha de
manutenção muscular aprendida nos tempos em que pratiquei natação
desportiva e de competição. Sair de bicicleta aqui pelo bairro já se
torna perigoso pelo transito em excesso e assim ofertaram-me uns rolos
usados para treino de ciclistas meio amadores meio desportistas.
- Se vivo só e por minha
conta e risco...?
- Alguma dúvida para quem
gosta de ter este estilo de vida em que lhe sabe mutíssimo bem viver só
por saber que seus descendentes já estão lançados de forma individual e
autónoma na vida?!
- Se serei feliz assim...?
- Repito: - Só assim é
que sei viver em paz e harmonia interior comigo mesmo!

Esta fotos foram
retiradas de um site da especialidade a fim de vos dar a conhecer a
tipologia desta doença chamada Degenerescência da Mácula.
Clica nestas imagens e verás de como tu
podes fazer de ti alguém que sabe ver sem poder ver fisicamente.